quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

Pai e filha

(Pernilla é a filha de Mikael Blomkvist)

"- Pernilla, não estou inocente. Lamento não ter falado contigo a respeito do que aconteceu, mas não fui injustamente condenado. O tribunal decidiu com base no que foi dito durante o julgamento.
- Mas tu nunca contaste o teu lado da história.
- Não, porque não tinha provas.
- Okay. Então responde-me a uma pergunta: o Wennerström é ou não um crápula.
- É um dos crápulas mais sinistros que alguma vez conheci.
- Para mim, é o suficiente. Tenho um presente para ti.
Tirou um embrulho da bolsa. Abriu-o e mostrou um CD, The Best of the Eurythmics. Sabia que era uma das velhas bandas preferidas dele. Mikael introduziu-o no iBook e ficaram os dois a ouvir 'Sweet Dreams'."

Stieg Larsson, Os Homens que Odeiam as Mulheres, Oceanos (Leya)




Some of them want to use you
some of them want to get used by you
some of them want to abuse you
some of them want to be abused

segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

Aurea Mediocritas

Asnos com cultura clássica
apanhados em flagrante na região saloia

sexta-feira, 11 de Setembro de 2009

tlm

Fui praticamente o último tipo da cidade a ter um telemóvel. Mas já tenho um há algum tempo. Aí há um ano ou isso.

Quando me perguntavam porque é que não tinha telemóvel eu respondia que essa não era uma boa pergunta. Que a questão relevante era antes: porque é que hei-de ter um? Dada a minha vida simples, estava sempre razoavelmente contactável, pelo menos em termos profissionais, pelas linhas fixas, mais o email, e por isso não existia nenhuma necessidade premente de andar com mais um chumaço no bolso.

A parte mais engraçada de não ter telemóvel era que ninguém acreditava em mim. Achavam sempre que eu não queria dizer o número. Eu dizia que não tinha e olhavam para mim com um ar de "eu estou-te a topar". A segunda parte mais engraçada era a utilização das cabines telefónicas. Com um cartão pré-pago, e mediante a introdução de cerca de 20 a 30 algarismos, consegue-se uma ligação em boas condições para qualquer parte do mundo. A terceira parte mais engraçada era que de facto conseguia essa coisa rara no mundo de hoje que é não estar mesmo contactável, sem que se percebesse que estava a fazer de propósito. Acontecia e pronto. Essa sensação de liberdade perdi-a. A quarta parte mais engraçada era um certo prazer da excentricidade. Agora continuo a ser excêntrico mas já não é por isso e nota-se menos.

Mas acabei por comprar um. Tornou-se cada vez mais difícil não o ter. Acho que o que me convenceu foi o novo método de fazer combinações. As pessoas diziam-me: "quando chegares à esquina não sei das quantas telefona-me que depois eu digo-te como fazes". Eu tinha sempre de pedir para me explicarem tudo de uma vez mas começou a ser cada vez mais penoso. Agora pronto, faço como toda a gente. E dá-me jeito.

sexta-feira, 4 de Setembro de 2009

Topas menos

Jan Massys (1509-1573), Flora, 1559
Hamburger Kunsthalle

Anda por aí a circular uma lista das 20 queixas mais ridículas que os clientes fizeram a uma agência de viagens britânica. Aquilo até tem piada. Uma delas é a de que "os banhos de sol em topless deveriam ser proibidos. O meu marido passou as férias a olhar para outras mulheres e estragou as férias todas".

Jaime o comentarista encontrou a solução para este problema. Proponho que no Allgarve se imponha o traje idealizado por Jan Massys no sec. XVI. Esta discreta vestimenta tem a vantagem adicional da protecção solar.