terça-feira, 30 de Junho de 2009

Quem domina quem?

Se os Depeche Mode têm o sabor dos anos 80, os Nouvelle Vague trouxeram-lhe frescura e sensualidade gaulesa (Quem mais pronuncia "equality" daquela maneira?). Aqui fica 2 x "Master and Servant". Afinal quem domina quem?

DM e NV podem ser vistos e ouvidos no Porto um dia destes.



sexta-feira, 19 de Junho de 2009

O amor e as acções (um texto anti-romântico)

(Revoltou-me a introdução do vocabulário financeiro entre nós. "Cobrança" é para o cobrador do fraque. No amor, julgava eu, imperaria a generosidade e a entrega, e constituiria quase a única fuga possível ao mercantilismo contemporâneo. Enganava-me redondamente).

Finalmente, ao fim destes anos todos, descobri porque é que se fala tanto do amor. Porque é que se trata de um sentimento aparentemente sobre-cotado.

É porque o amor é como o mercado das acções. Um tipo compra acções, tem-nas, mas é como se não as tivesse. Apenas observa quando elas sobem e quando elas descem. Tal como o investidor, esse imprudente, acaba por ligar o seu bio-ritmo aos gráficos da cotações, assim o indivíduo apaixonado, esse tanso, fica psico-dependente dos solavancos da sua paixão.

Mas não é só. A comparação vai mais longe. É que, em ambos os casos há apenas um momento importante em função do qual todos os outros se definem. Nos mercados financeiros, chama-se transacção (ou compra, ou venda). É o momento da verdade. A especulação faz-se em torno de um conjunto de suposições em relação a essa concretização.

Também assim no amor. No amor, o momento da verdade chama-se consumação. E tudo o resto são elucubrações em torno desse momento, passado ou futuro. Tal como vender o que já está vendido é no melhor dos casos paródia e no pior deles fraude, também o amor não pode ser consumado duas vezes. Da segunda vez já é outra coisa. E na terceira, tornou-se vício.